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FILHAS DE ODIN, DAMAS DAS RUNAS


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Das filhas sagradas do Grande Deus ODIN OUVEM SE AS VOZES DAS RUNAS

Postado por Ordem dos Kavaleiros Runicos às 09:19 Nenhum comentário:
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O Odinismo é uma ANTIGA TRADIÇÃO que prega a reconstrução do paganismo nórdico. Mas não é única.E entre elas está o asatru islandês.



Os encontros são reservados para grupos com laços fraternais. Isto é, as famílias e os clãs. No odinismo/asatru estes grupos recebem os nomes de Kindreds, ou garths. O primeiro vem de “kin”, familiar; quer dizer família. O segundo é lar, casa ou morada, referindo-se a um clã inteiro que convive junto, às vezes reunindo mais de uma família. O clã/família é um grupo ligado por laços familiares, laços estes, nem sempre sangüíneos, mas que unem todos por um sentimento fraternal comum de respeito, paz, acolhimento, compaixão, ideologia e anseio por comungar a espiritualidade.



Os Kindreds se reúnem nas datas importantes do calendário viking. São estas datas que marcam a passagem das estações, tempos de colheita/plantio e os aniversários de eventos heróicos para o povo antigo. Nestas épocas, os kindreds deverão se encontrar em locais reservados para comemorar, celebrar e refletir o momento.



Estas celebrações recebem um nome especial. Hátíd. Palavra do nórdico antigo, quer dizer “celebração”. De qualquer tipo. Um blót, um fórn, um veizla, um húsel ou um sumbel, ou qualquer outra (há quem diga que é tudo a mesma coisa). No bom senso pagão, celebrações de inverno são reservadas e feitas no lar. As de verão podem ser em local aberto ou no meio da natureza se assim preferirem. Tanto faz. O importante é o sentimento de fraternidade que deve existir entre os membros durante os Hátíds.



O praticante solitário pode procurar um grupo ou amigos para comungar uma vez que os ritos pagãos nórdicos são essencialmente familiares e grupais. Ele ainda poderá optar por celebrar sozinho, a sua moda, mas ainda assim não conseguirá vivenciar completamente o sentimento do Kin que está por trás dos hátíds.



Existem vários tipos de celebrações e se destacam algumas sazonais como o Mídwinterblót (Meio de Inverno) ou Yule (Solstício de Inverno), Thórrablót (Sacrifício a Thor), Alfablót (Sacrifício aos Elfos) ou Dísablót (Sacrifício às Dísir), Eostr (Equinócio de Primavera), Sommarmál (Ápice do Verão), Mídsommarblót (Meio de Verão), Haustablót (Sacrifício de Outono), Freyrfaxi (Festa de Frey), Wétturnaetr (Noites de Inverno).



Para todo Hátíd existe um roteiro básico e personalizado de acordo com a ocasião a se celebrar. O roteiro diz a ordem de cada coisa durante o rito. Traz organização. Ele tende se manter fiel às práticas antigas, mas é claro, voltado para uma prática moderna.



Alguns objetos sagrados são essenciais para estas celebrações. Nem todos são usados, mas a maioria pode ser aproveitada. São eles: o Blotahorn (chifre de libação), Skál (taça de libações), Raudvín (vinho tinto para a consagração do kin), Hóf (altar móvel), Hamar (martelo), Eikarlaufgat (bastão fálico) ou Runestaff (bastão rúnico), Aessirmyndar (ídolos dos Aesir), Fulltruí (objetos pessoais que são elos com as divindades patronas), Blotarkárfa (cesta para as oferendas), Öl ou Alu (cerveja inglesa), Bjór (cerveja dourada), Mjóld (hidromel), ou ainda a Svartr Bjórn (cerveja escura), etc. Tem que só use o chifre ou o martelo… Vai de cada tradição e kindred.



De posse dos objetos ritualísticos para o Hátíd, pode-se partir para a “cerimônia” (na realidade, não existe o conceito de cerimônia uma vez que os ritos eram de cunho familiar, intuitivo e rural).



O papel do Godi ou Gydja já designado pelo grupo, mas em geral se deve ao Dryhten (anfitrião) do Wéoh (Santuário). Aquele que oferece o lar deve manter o rito em ordem. Ele pode preferir não celebrar nem ordenar o rito, mas ainda assim é responsável pela ordem e respeito à celebração.



Um membro do sexo feminino em geral é designado ao cargo de Walkyrja, Dís ou Idisi do grupo, que deverá, ainda, ser a aia ou acompanhante do Dryhten. Ela irá preparar as bebidas sagradas, fazer as bênçãos sobre elas e servir os chifres dos Kins (familiares). Caso não haja alguma mulher disponível para o papel de Walkyrja, o encargo é do próprio Godi, obviamente. A walkyrja será então ou a esposa do Dryhten ou do Godi, enfim a parenta mais ligada ao celebrante do hátíd.



Segue abaixo um modelo simples para ser seguido nas celebrações religiosas odinistas/asatruares.



1. A Chegada/Discussão/Atividades diversar

2. O Wéoh – Santificando o local:

a) Chamada do Kin para a celebração.

b) Acender dos fogos de proteção em procissão para o caso de tochas e velas. Realizar o Rito do Martelo para o caso dos que usarão um hamar. (Ou a Procissão da Tocha ou o Rito do Martelo).

3. O Blót – O Sacrifício:

a) Declaração do Hátíd – primeiro sermão com boas vindas e discurso de motivação sobre o momento,

b) Invocações – é solicitada a bênção da divindade patrona do grupo, das dísir e dos mortos através do martelo.

c) Consagração – a bebida sacrificial (vinho, cerveja ou hidromel) é abençoada com o martelo, runestaff ou völsi. Os chifres são preenchidos e os membros erguem-os para os brindes.

d) Sacrifício/Libação – inicia as rodadas de brindes. No caso de asatruares, primeiro à divindade patrona, bebe-se e liba-se, depois para as dísir, bebe-se e liba-se e em terceiro para os mortos, bebe-se e liba-se. Para odinistas, primeiro à Odin, bebe-se e liba-se, segundo para qualquer outra divindade em questão sendo mencionada e associada ao momento, bebe-se e liba-se e em terceiro para os ancestrais, disir e mortos, bebe-se e liba-se. Serão sempre três brindes com libações, seguindo uma ordem preferencial de divindade patrona, divindade honrada, guardiões e ancestrais.

f) Consagração de Sangue – a bebida sagrada é o sangue sacrificial simbolizado através de seu liquido vívido. O Völsi ou o Martelo é embebido na bacia/garrafa/recipiente onde está a bebida consagrada e espirrado em cada um dos membros para limpa-los de malezas de todos os tipos. O Godi pode recitar runas, vardlokkur, galdr, encantamentos ou simplesmente desejar paz e fecundidade a cada um. Terminado isto, todos podem sentar (se estiverem ritualizando de pé, formalmente).

g) Observação: não é educado os membros servirem-se de mais bebida sagrada após os brindes, de modo que possa interromper a consagração de sangue do Godi. É importante o Godi terminar a consagração e todos sentarem-se confortavelmente para então tomarem liberdade de beber. A walkyrja auxilia o Godi em todos os momentos, seja servindo os chifres, segurando os objetos próximos dele, etc.

4. O Sumbel – O Festim:

a) Narrativa/Interpretação. A narrativa de um mito ou a interpretação teatral do mesmo pode ser feita neste momento pelos membros se assim desejarem, com uma dramatização ritual. Os membros podem beber a vontade, mas ainda não se servem da ceia. Findado a narrativa, se ela houver, os membros aplaudem e podem fazer um brinde especial ao momento.

c) Ceia.

5. A Colheita – A despedida, recolhimento e agradecimento:

a) Despedida às divindades e seres – O Godi declara findado o hátíd e agradece às divindades, guardiões e ancestrais. Agradece a presença dos membros e deseja paz e fecundidade a todos;

b) Recolhimento e limpeza local.

c) Entrega das oferendas – a bebida restante é libada na terra e a comida pode ser ofertada aos animais, pobres ou enterrada aos pés de árvores se assim houver um lugar privativo para faze-lo de modo que não polua e não infrinja leis locais.





Este roteiro, com certeza, não é uma regra e muito menos uma imposição dogmática. Ele sugere uma prática moderna. Visa nossa proximidade com as antigas crenças e práticas exatamente como elas eram, mas com variantes atuais. Algumas alterações e adaptações foram feitas. Como a substituição do sacrifício animal pela libação, ou a consagração do Kin com vinho ao invés de sangue, etc. São pequenas comodidades como estas que tornam nossas celebrações algo realmente harmônico e poderoso em toda sua simplicidade.